Após a subida de Oda
Nobunaga ao poder em 1568 e sua aclamação como Xogun,
a aliança surgida com os cristãos intensificou-se, inclusive com a criação na
capital de um bairro exclusivo para os missionários jesuítas. Essa aliança, associada
a um trauma de infância de Oda Nobunaga, resultou na perseguição das seitas budistas
e no massacre de populações inteiras das aldeias Ninja de Koga
e Iga, tidas como seguidoras do Budismo Shingon.
A primeira
grande matança ficou conhecida como o Massacre do Monte Hiei, onde, em 1571, o
Xogun Nobunaga comandou pessoalmente um exército de 30.000 homens que dizimou
mais de 10.000 homens, mulheres e crianças. O exército do Xogun era o mais bem
equipado da época, possuindo esquadrões de mosqueteiros, armados com as carabinas
compradas dos portugueses.
Oito anos
depois, Nobunaga não estava satisfeito com o massacre. Juntamente com seu filho
Katsuyori, reuniu 46.000 homens para investir definitivamente contra os clãs Ninja
restantes. Eles arrasaram completamente a província de Koga, aonde poucos foram
os Mestres restantes. Após a vitória sobre Koga, este exército investiu contra
a província de Iga, arrasando-a na batalha de Tensho Iga no Ran. Esse não foi
o fim dos massacres do Xogun. Dois anos depois houve um novo ataque e somente
alguns poucos Ninja conseguiram escapar para as montanhas.
Em
1582, Oda Nobunaga é assassinado por um de seus próprios vassalos, Akechi, que
aproveitou a situação para tomar o castelo Azuchi. Entretanto, o general Toytomi
Hideyoshi, que lutava por Nobunaga, agiu rapidamente e retomou o poder. Um
dos seus primeiros decretos foi a proibição aos camponeses de possuir ou portar
armas, o que ficou conhecido como "Caça
às Espadas".
Ao contrário de Nobunaga, Hideyoshi
começou uma campanha de perseguição aos cristãos e os massacrou aos milhares,
pois ele via a interferência e influência estrangeiras (mais do ocidente) como
contraproducente ao seu objetivo de unificação do Japão. Um ano mais tarde, Hideyoshi
percebeu que, com o massacre dos cristãos, ele tinha criado quase uma casta militar
no país, causando a ascensão ao poder dos samurais. A proibição de porte e posse
de armas tinha causado revoltas, tornando a cobrança de impostos muito difícil,
o que interferiu nos seus planos de expansão.
Em
1600, dois anos após a morte de Hideyoshi, o segundo general favorito de Nobunaga,
Tokugawa Ieyasu, vence a batalha de Sekigahara e
assume o total controle do Japão. Para sufocar as rebeliões e submeter os daimyos
ao seu controle, empregou uma vasta rede de espionagem, utilizando os Ninjas para
reportarem sobre os nobres dissidentes. Devido a essa necessidade e por favores
prestados no pasado, o mais famoso Ninja da época, Hanzo
Hattori, foi elevado aos altos escalões do governo.
Em
1603 Ieyasu foi nomeado o novo Xogun, estabelecendo o seu governo na crescente
cidade Edo, atual Tóquio. Durante o seu Xogunato, elaborou uma série de decretos
que tiveram dramáticos efeitos sobre o Japão, e ironicamente, levaram ao declínio
a poderosa força dos ninjas. Neste período (conhecido na história como
Xogunato Tokugawa), Ieyasu bloqueou o comércio anterior com o ocidente e fechou
o país aos estrangeiros. Com exceção de um pequeno posto de comércio
em Nagasaki que operava com os holandeses, todos os portos foram fechados.
O
país foi dividido em 250 feudos e, por ordem de Ieyasu, cada um era governado
por um senhor supremo que devia passar um mês de cada ano na Capital em Edo, para
reduzir a chance de conspiração.
Isolado do mundo nos 260
anos que viriam, o país unificou-se. Pela primeira vez em séculos, a ordem
civil foi restaurada e restabeleceu-se a paz. O período ficou conhecido
por "A Idade da Paz Ininterrupta". Infelizmente para os ninjas, esta paz selou
seu fim como peças importantes. Permanecendo com o Xogun para proteger
o Xogunato, Hanzo Hattori organizou seus ninjas
num sistema de polícia secreta e espionagem, para informar Tokugawa sobre
dissidentes e agitadores políticos, antes que se tornassem uma ameaça.
Mas
com a paz, os mortais ninjas, temidos durante quase dez séculos pelo Japão, tornaram-se
pouco mais que jardineiros e guardas de segurança e suas habilidades declinaram
junto com sua arte. Muitos ninjas integraram-se à comunidade exercendo funções
conforme suas habilidades, outros dedicaram-se à agricultura, renunciando às suas
habilidades guerreiras. Os poucos ninjas não integrados à vida civil vagavam pelas
altas montanhas perseguindo práticas religiosas. Conseqüentemente, as organizações
ninjas se desfizeram - ou assim pensavam muitas pessoas. Alguns pequenos grupos
foram para a anonimato para praticar suas técnicas, passando a cada geração
os modos e métodos do Ninjutsu. Esses Clãs consiguiram manter vivas as
tradições até os tempos atuais, visto o grande número
de escolas existentes hoje em dia.