| Os Ninjas, ou Shinobis, foram os espiões
do Japão antigo. Esses guerreiros agiam de forma oculta e velada, realizando
todos os tipos de missões. Assim como os samurais
pertenciam a uma família nobre e tradicional de guerreiros e eram treinados desde
criança, tanto nas artes militares quanto no seu código de ética o Bushido
, os Ninjas também pertenciam a um determinado grupo familiar, sendo a maioria
de origem camponesa, mas igualmente versada nas técnicas militares e estratégicas,
sendo da mesma forma treinados desde a mais tenra idade. Também possuíam o seu
código de honra, o Shinobi no Giri, que eram os conceitos de fidelidade, honra
e lealdade tanto a sua família, como as ordens determinadas pelo líder
de sua escola. | |
Os grupos familiares Ninjas constituíam um microcosmo
estritamente fechado. Tradicionalmente a ordem hierárquica era composta de três
níveis: jonin (líderes), chunin (sublíderes) e genin (agentes). Esses Grupos possuíam
territórios próprios e seus ensinamentos, exclusivos de cada Ryu, se mantinham
em segredo.
Devido ao condicionamento
e treinamento constantes nas mais diversas áreas, entre elas no combate
armado e desarmado, os ninjas adquiriam habilidades extraordinárias, o
que lhes possibilitavam cuprir todos os tipos de missões. Em geral essas
missões consistiam na infiltração em territórios hostis, realização de diferentes
ações e posterior evasão. As distintas ações a serem realizadas eram tão variadas
como as circunstâncias das mesmas, podendo ser encaixadas em três categorias
principais - primeira: recorrer a um serviço de informação por meio da espionagem
e todas suas atividades correlacionadas; segunda: sabotagem, assassinato, subversão
e destruição das defesas inimigas; e terceira: ação no campo de batalha incluindo
operações de combate de quase de todas as formas, que iam desde um confronto aberto
até uma emboscada (que poderia ser contra uma vítima indefesa ou contra um Daimyo
fortemente protegido).
O Ninja atingiu
seu apogeu quando no fim do Período Heian, em 1185,
o enfraquecimento do governo central japonês gerou constantes conflitos. Senhores
feudais e líderes religiosos disputavam o poder, criando o perfeito cenário para
o uso de espiões e assassinos, para eliminar adversários políticos. Assim raiou
uma era de convulsão política chamada Período Kamakura
(1192-133), também conhecida como a Era Dourada do Ninjutsu, onde surgiram
mais de 70 Ryu (escola), cada um com seu método próprio de espionagem e uso de
armas. A ditadura militar chamada Xogunato
nasceu durante este período, sendo o imperador mera figura decorativa para o país.
Junto com o Xogunato, o guerreiro samurai ascendeu ao poder assim como sua religião,
o Zen-budismo,
que fixou o alicerce da cultura samurai.
Contudo os samurais
e os ninjas estavam em extremos opostos da balança. A utilização de agentes ninjas
com seus talentos especiais, bem conhecidos por alguns daimyo (senhores feudais),
parecia ser a solução ideal para estes últimos se livrarem de seus oponentes.
Governando suas áreas e fazendo suas próprias leis, os senhores feudais deixavam
seus postos para irem à guerra, e encarregavam seus fiéis samurais de assegurar
o cumprimento de suas ordens.
Devido à demanda de informações
sobre movimentos de tropas, o uso de espiões ninjas tornou-se comum, pois suas
táticas resultavam na informação certa ao ouvido certo. Logo os senhores feudais
descobriram que um ou dois agentes ninjas, além de baratos, colhiam mais informações
do que um exército inteiro de samurais. Sob a proteção da escuridão ou disfarçados,
segundo um conjunto de técnicas chamado Sichi-ho-de
no Jutsu, eles moviam-se livremente pelas fortalezas do inimigo reunindo informações
sobre tudo. Num curto espaço de tempo, os ninjas se tornaram essenciais para o
serviço de inteligência.